A rua e a vida
Subo a rua em ritmo incerto. Olho à direita e à esquerda na sôfrega esperança de encontrar algo que me prenda a atenção. Tarda esse objetivo. É grande a exigência, ou trata-se de mera insatisfação? Certamente que o defeito é meu! Foi assim, com esta autoexigência que cresci, e que até hoje mantenho. Um vício por indultar a societatis, e assumir a responsabilidade pelo erro.
Enfim, contínuo a subir a rua! Aqui e ali sou obrigado a reduzir a marcha. "Este" e "aquele"
forçam-me a quase marcar passo. Não desisto e insisto. Argumento e discuto, numa diferença de opinião que, nalguns casos, pouco tem de salutar. Afinal, é mesmo para marcar passo. Mas não é eterna a paragem, e, como em tudo, há aquele momento em que volto a subir a rua, desta vez com redobrada motivação. Já vou a meio da rua. O olhar já é diferente. Não será certamente da rua, porque lá atrás, bem no início, já tinha reparado na sua uniformidade. Cálculo então que a diferença está nos olhos, que agora veem diferente. Não que estejam cansados, mas são agora o produto acabado deste percurso. Já viram muito. Já se inspiraram nos cenários percorridos até ali. Estão diferentes.
Falta ainda muito desta rua por percorrer. Até lá, a vida continua!