O dia a dia
O dia de hoje é só mais um de entre os muitos que passam velozes na nossa existência. Em
especial, tem os mesmos problemas intrincados de sempre, castradores da nossa
tranquilidade, fulcro da nossa impaciência, erosivos da nossa resiliência. É,
por isso, um dia mais sem história. Triste. Envergonhado. Um dia em que a
súmula se decompõe no COVID 19, na desfaçatez das críticas mundanas a tudo
quanto se faz e diz, ao Orçamento do Estado e à insatisfação crónica daqueles
para quem o mundo supostamente conspira. Não há muito mais, apenas a parca
esperança de que algo mude, e que a nossa vontade seja alicerce dessa mudança.
É este o mundo em que vivemos, é este o dia a dia que enfrentamos. Todos têm a
solução para os males que apoquentam o mundo. Pena é que nem o seu microcosmos
pessoal tenha solução. Pudera, o mundo conspira, e com tanto que vai mal, por
que raio é que estas vidas seriam diferentes da ecologia existencial que as
rodeia? Mas, se esses microcosmos estão insolutos, é precisamente por culpa do
mundo e dos seus males. Uma espécie de dilema circular, onde o início e o fim
se confundem, e tudo fica na mesma.